Opinião

A Cabana: O que tem de especial o livro de William P. Young

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Com a estreia recente nos cinemas do filme “A Cabana” convém refletir sobre o livro que lhe deu origem e que tanto está a dar que falar.

Corria o ano de 2009 quando a Porto Editora lançou, em Portugal, o best-seller “A Cabana” escrito por William Paul Young em 2005, para explicar aos filhos como lidou com as tragédias que abalaram a sua vida.

Foram impressos apenas quinze cópias que foram oferecidas à família e a pessoas próximas, seguindo-se uma modesta edição de autor para responder aos pedidos de amigos. Dez anos depois, o livro vendeu mais de 22 milhões de exemplares e só em Portugal já teve mais de 17 edições. Chega agora aos cinemas com Sam Worthington e Octavia Spencer nos principais papéis.

Mas que livro é este que tanto está a dar, novamente, que falar?

 

A sinopse do livro começa logo com uma pergunta que nos prende a atenção – “E se Deus marcasse um encontro consigo?” – e nos enche de curiosidade sobre o conteúdo do livro.

O romance narra a história de Mackenzie Allen Phillips, da sua família, e de umas férias na floresta do estado de Oregon que se num pesadelo. A pequena Missy é raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada, mas o corpo nunca foi encontrado. Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana.” Carregado de dor e culpa, Mack só se perdoará após uma experiência mística em que encontra as três Pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

Nesta altura muitos se perguntam se, sendo um livro sobre espiritualidade e fé, vai de encontro à doutrina católica e se o devemos ler. A resposta à primeira questão é não, e à segunda, sim.

A Cabana é um livro que pretende fazer chegar ao leitor diversas mensagens sobre as mais diversas características do ser humano, principalmente no que toca ao seu relacionamento com Deus, mas sejamos claros, o livro é uma obra de ficção, um romance, e como tal não deves procurar nele as respostas às tuas dúvidas sobre religião e espiritualidade. Para perceberes a diferença, imagina-o como uma telenovela rodada num jardim zoológico em comparação com um documentário sobre a vida selvagem da savana africana. Mais coisa, menos coisa...

No entanto, e apesar de alguns o acusarem de heresia, é um livro interessante e fácil, para refletir sobre perdão, sofrimento e julgamento, tendo o mérito de, com mais ou menos erros teológicos, tentar colocar Deus no lugar adequado perante as situações de sofrimento que normalmente não conseguimos explicar.

É também interessante o esforço que o autor faz para diluir a ideia de um Deus vingativo e castigador, em contradição com um Jesus “super-herói bonzinho”, procurando anular a ideia de abandono por Deus nos momentos de dor e sofrimento.

Ler e entender “A Cabana” exige discernimento e leitura paralela para perceber as imprecisões teológicas do livro, ainda assim é extraordinária a forma como o autor transforma um acontecimento trágico e “imperdoável”, numa oportunidade de crescimento espiritual para Mack e lhe mostra uma perspetiva totalmente diferente do que o consumia, além da capacidade que temos de perdoar.

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