Igreja: uma rede de comunidades

A Igreja Católica foi desde a sua origem uma rede de comunidades. Hoje que tanto se fala em redes sociais talvez seja ainda mais fácil compreender como e porque a Igreja cresceu e se desenvolveu com tanto vigor.

Após o Pentecostes, onde a primeira comunidade cristã recebeu o Espírito Santo e o impulso para ir e anunciar o Evangelho, iniciou-se o fenómeno da fundação de diversos pequenos grupos que estavam ligados entre si pela questão carismática (todos seguiam o mesmo Mestre Jesus) e por uma estrutura invisível que poderíamos chamar de “rede eclesial”. 

Cada “nó”, ou núcleo, desta rede era constituído por uma das comunidades nascentes. No seu conjunto formavam uma rede de comunicação e comunhão (material e espiritual, como vemos nas cartas de São Paulo e especialmente no livro dos Atos dos Apóstolos) muito semelhante ao que a internet proporciona hoje no ambiente digital. Foi isso o que deu força e estabilidade à Igreja, conseguindo superar todas as dificuldades e perseguições. É por isso também que hoje as Igrejas perseguidas (como no Iraque, Nigéria etc.) são confortadas e fortalecidas. Elas sabem que não estão sós, mas contam com uma rede de comunidades que lhes apoia.

Com o passar do tempo esta rede de comunidades foi tomando uma forma mais organizada e funcional, dando origem às dioceses e paróquias. Esta estrutura que hoje vemos e da qual fazemos parte é essencial para o bom funcionamento e para a melhor vivência da fé, pois não existe fé pessoal sem a fé comunitária. 

Não pode haver fé cristã que não seja em comunidade, em comunhão com os outros cristãos, partilhada com os que acreditam e vivem o mesmo que nós. Para os jovens isto deve estar muito claro. Muitas vezes (e a sociedade nos conduz cada vez mais a isso) temos a tentação de querer viver uma fé “aos nossos moldes”, adaptando a fé aos nossos desejos e necessidades. Isso é impossível. Não é fé cristã. Somos cristãos somente quando somos Igreja, e somos Igreja quando vivemos em comunidade (numa paróquia).

A questão n. 134 do YOUCAT é muito interessante neste sentido. À pergunta “Quem pertence à Igreja Católica?”, responde com objetividade: “Pertence totalmente à comunhão da Igreja Católica quem, unido ao Papa e aos bispos, se incorpora em Cristo através da confissão da fé católica e da celebração dos Sacramentos. [836-838]” O nosso primeiro pastor é o Papa, como sucessor de Pedro e representante de Cristo entre nós. Cada comunidade deve estar em consonância com Roma, que é para todos a medida da fé correta, íntegra e genuína (cf. YOUCAT, n. 141). Entretanto mais perto de nós temos o bispo, que é o pastor da Igreja local. “Os bispos têm a responsabilidade pela Igreja local a eles confiada, assim como a corresponsabilidade pela Igreja universal. Exercem a sua autoridade em comunhão mútua e em proveito de toda a Igreja, sob a orientação do Papa”, lemos no n. 144.

Ainda segundo o Catecismo Jovem, “Um cristão católico assume o seu compromisso perante o seu bispo, que é para ele o representante de Cristo. Para mais, o bispo, que exerce o ministério pastoral com os seus presbíteros e diáconos, como seus assistentes ordenados, é o princípio visível e o fundamento da Igreja local (chamada também diocese)” (n. 253). Os bispos, como sucessores dos Apóstolos, trazem Cristo à humanidade e a humanidade a Cristo, mediante o seu anúncio, a celebração dos Sacramentos e a condução da Igreja. Nesta tarefa contam com a ajuda e colaboração dos padres, responsáveis pela cura pastoral de um núcleo menor dentro da estrutura eclesial: as paróquias. 

A paróquia, ou comunidade eclesial como sempre aparece mencionada no YOUCAT, é desse modo a responsável imediata pela transmissão da fé. A paróquia é o lugar onde somos batizados, onde celebramos os sacramentos, onde vivemos a liturgia, onde frequentamos a catequese, onde rezamos e crescemos na fé, onde encontramos os amigos, onde vivemos a caridade, onde ouvimos e meditamos a Palavra de Deus, onde praticamos as bem-aventuranças e as obras de misericórdia, onde seguimos os mandamentos, onde testemunhamos Cristo e o Seu Evangelho. Enfim, não podemos ser cristãos se não estivermos comprometidos e atuantes na nossa paróquia, um ponto pequeno mas essencial nesta grande rede que é a Igreja.

Marcações: YOUCAT

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