Educar à caridade

Os jovens são propensos à caridade. São generosos, atentos aos outros, dedicados. Disso não temos dúvida. O problema é que a Caridade cristã é muito mais que “fazer caridade”.

A Caridade cristã, parte da boa vontade e do desejo de transformar o mundo, mas não se limita a isso. É feita de compromisso. De um compromisso sério com o Reino dos Céus que queremos que cresça na terra.

A missão da Pastoral Juvenil no que a isto diz respeito é a de Educar à Caridade, ou seja, de transformar a boa vontade e a espontaneidade dos jovens numa escolha comprometida com o Bem Comum e com a verdade do Evangelho.

Para que esta educação à Caridade seja autêntica, parece-me importante ajudar os jovens a desenvolver quatro características fundamentais:

O dom de si. É importante crescer tendo consciência de que somos especiais e temos dons e talentos que nos distinguem dos outros. Saber dar valor a estes dons é o primeiro passo para que a caridade seja atuada. Não é por acaso que Jesus manda amar o próximo como a mim mesmo. No entanto é essencial perceber que os dons que temos só fazem sentidos se forem vividos na dinâmica da entrega da vida. A vida só se torna realmente bela quando percebemos que não interessa sabermos fazer tudo, mas sim quando compreendemos que para fazer o que quer que seja precisamos uns dos outros. Num círculo de doação constante.

O encontro com o outro. Cada vez mais conhecemos mais gente e cada vez mais encontramos menos pessoas. A realidade das redes sociais e da massificação da informação, ambas positivas, fez com que se perdesse o que o cristianismo tem de mais belo: encontrar o irmão. Poder partilhar a vida e o abraço do outro. E depois, há tantos temores que nos levam a fugir do encontro próximo com o outro. Quanto conseguirmos ver o encontro com o outro, com o irmão como algo positivo, de confiança, que nos abre à maravilha da vida partilhada, então a caridade fará sentido.

A compaixão com o mundo. Se é verdade que a informação está massificada, também é verdade que muitas vezes sentimos a dor dos irmãos longe de nós. Sentir compaixão pelos que sofrem, perto mas também longe de nós é um passo de gigante para crescer no que a nossa fé tem de especifico: a universalidade. O mundo que encontramos nas redes sociais muitas vezes não é aquele real. O mundo real vive situações duras de dificuldades, guerras, perseguições. É essencial pensar o mundo, rezar pelo mundo, amar o mundo.

O encontro com o pobre. “…se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos.” Estas palavras do Papa Francisco na sua mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres, dão o mote ao desafio do encontro com quem tem menos que nós. A pobreza é real, concreta, existe e impõe-se aos nossos olhos. Logo, o nosso encontro com os pobres deve ser real, concreto, claro e próximo. Só assim seremos capazes de construir o mundo novo que Jesus sonhou.

“De facto, os pobres sempre os tendes convosco” disse-nos Jesus (Jo 12, 8). No entanto teremos sempre connosco também o desejo de construir um mundo justo, que olha para o mais pobre e necessitado e é capaz de se comprometer até ao dom de si mesmo.

“Podemos (re)criar um mundo novo se partirmos dos pobres, dos últimos, dos que não têm nada e são ricos do que nos une a todos: a humanidade”. Crescer na caridade significa amar o mundo, acreditar no futuro: num mundo construído na proximidade; num futuro de justiça onde todos serão respeitados na sua dignidade.

Marcações: Jovens em Igreja

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