Mãe controle ou Mãe Maria?

(Preciso começar este artigo fazendo um pequeno esclarecimento. Nada daquilo que aqui estiver escrito está comprovado cientificamente. Tem apenas por base uma leitura simples daquilo que vou observando.)

A era que hoje em dia se vive, em que as pessoas estão constantemente “ligadas” pela tecnologia, se por um lado facilita a comunicação entre as pessoas, por outro lado cria situações menos desejáveis, como o controle sobe o outro: onde está, o que está a fazer, se esteve online, se esteve online e leu, ou se não respondeu...

Bem, este é o momento em que já se começaram a perguntar o que tem isto a ver com a família e com o tema escolhido para esta edição: MÃE.

Na maior parte das famílias portuguesas as crianças começam a ser possuidoras de um telemóvel (em qualquer uma das suas variantes) e cada vez mais cedo, rondando os 10 anos a idade comum para este “presente”. Escusado será dizer que o meu filho mais velho, de 10 anos, já começou as suas investidas, no entanto continuará a fazer parte da minoria dos sem-telemóvel.
Entre pais e filhos, acaba exatamente por acontecer esta mesma relação de controle. Na escola onde trabalho é comum assistir-se a telefonemas entre pais e filhos contando como correu o teste, se o almoço estava bom, se os amigos se zangaram... Assiste-se a um maior controle da vida dos filhos, se calhar justificando-se com a ideia de proteção. Uma vez, ouvindo o testemunho de uma família numerosa, que partilhava um pouco sobre esta temática, diziam: “Quando os pais, durante o dia, vão estando a par de tudo o que os filhos fazem, o que será que conversam à noite, durante a refeição?” O filho mais velho comentava: “Eu que não tenho telemóvel, tenho mais liberdade que todos os meus amigos.”

Às vezes, há situações em que os pais se substituem aos filhos. É natural que, nós mães, não gostemos de ver os filhos sofrer, em dificuldade, no entanto é errado quando ao ocuparem o lugar dos filhos em determinadas tarefas, não estão a educar para a autonomia. Estou a referir-me a situações como, na elaboração dos trabalhos de casa, a ensinar a estudar, ou tão simplesmente quanto à responsabilidade de saber se tem trabalhos de casa.

E será este o modelo de pais que Maria, mãe de Jesus, propõe para nós, pais e mães do passado, do presente e do futuro, com ou sem tecnologias inovadoras?

Maria foi o exemplo de Mãe que acompanha, que está ao lado, que desafia, que escuta, que questiona, mas nunca, nunca controla, se sobrepõe ou se substitui. Até no momento da morte do seu Filho, Maria sofre mas confia e espera, aceitando a vontade de Deus. Qual é a mãe dos tempos modernos que não se insurgiria e barafustaria tentando salvar o filho?

Para mim, como mãe, esta é a maior lição e exemplo que Maria me poderia dar.

Há uns anos, o meu filho teria 6 anos, estava a deitá-lo e ele faz aquela pergunta que todos já fizemos um dia: de quem é que gostas mais?

Aquilo que me saiu na altura foi algo do género: “Em primeiro lugar, amo a Deus e a Jesus e depois gosto do pai, de ti, dos manos. E espero que tu faças o mesmo. Porque se tu amares a Deus acima de todas as coisas, vais aprender a amar o melhor que souberes as pessoas que te rodeiam.” E acrescentei: “E se um dia, tiveres que escolher entre a vontade da mãe e a vontade de Deus, escolhe a vontade de Deus que é, com certeza, a mais acertada para ti.”

Marcações: Família

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